Cris Leão e filhos

Mães que Inspiram: Cris Leão

Mães que Inspiram: Cris Leão

Hoje, como convidada, uma mulher que tem o poder de tocar os corações com os seus textos: a Cris Leão. A Cris é uma das criadoras do blog “Antes que eles Cresçam”, um blog excelente que serve de inspiração para mim e outras várias mães (Obrigada Cris! Rs…). No processo de convidá-la para esta entrevista, descobri que nós duas temos muitas coisas em comum… A Cris também é mineira, publicitária, passou por São Paulo e até trabalhamos no mesmo local, só que em épocas diferentes. Mundo pequeno este! Atualmente ela mora em Miami e vai contar um pouquinho da sua experiência e visão sobre a maternidade. É um enorme privilégio ter a Cris por aqui. Aproveite! 🙂

Mães que Inspiram: Cris Leão

A maternidade é um exercício constante de paciência, auto conhecimento, auto superação e, claro, um exercício de alongamento do músculo do coração, que quando você acha que já está cheio de amor, vem o segundo filho e ele estica o dobro.

 

O que a maternidade significa em sua vida? 

Um grande desafio, o maior de todos. Eu sai da casa dos meus pais no interior para estudar na capital (BH) com 13 anos. Passei muitos apertos com a diferença de realidade. Aos 19 fui sozinha para Barcelona sem falar um só palavra de espanhol. Também passei muitos apertos. Com 24 anos fui para Lisboa procurar emprego e fiz minha vida lá como redatora durante 4 anos. Passando muitos apertos também. Mas nada do que vivi antes é um desafio tão grande como a maternidade. Quando eles são bebês o esforço é físico, mas depois passa a ser mental. Um exercício constante de paciência, auto conhecimento, auto superação e, claro, um exercício de alongamento do músculo do coração, que quando você acha que já está cheio de amor, vem o segundo filho e ele estica o dobro.

 

Na sua opinião, qual é a melhor recompensa em ser mãe? E a maior dificuldade? 

A melhor recompensa para mim é saber que tenho 37 anos e minha vida já valeu a pena. Saber que essa experiência é a mais forte, a mais intensa e de um amor incondicional que deixa a vida menos vazia. Os desafios são muitos, mas as vitórias também. E celebrar um filho que aprende a andar de bicicleta, um filho que supera um medo, ver um filho ser bacana com as outras pessoas, respeitar a natureza e perceber que isso tudo foi você que ensinou, são coisas que te deixam dormir com uma paz de espírito que antes de ter filho, eu não conhecia. A maior dificuldade é o tamanho da responsabilidade. Eu sempre tive meus filhos longe da minha mãe e longe da família. Sempre me virei sozinha com meu marido. E isso é muito difícil. Só quem cria filhos assim é que sabe. A dificuldade é ainda saber que o trabalho que começou com meu filho mais velho sem dormir durante os primeiros 6 meses, depois virou ter dois filhos pequenos e só vai acabar quando forem para a faculdade. Pensar nisso às vezes é sufocante, confesso. Ser mãe é ter vários sentimentos juntos.

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Existe algo que você dizia que nunca faria antes da maternidade e que depois de ser mãe “pagou a língua” e fez? 

Eu tive meu primeiro filho aos 29 anos e sem planejar. O assunto maternidade e o que vou ou não fazer, realmente não passavam pela minha cabeça. Mas uma coisa mudou sim. Antes quando eu via uma mãe brava com uma criança, eu pensava “Nossa, que mulher má”. Agora quando vejo uma mãe completamente desequilibrada com as crianças eu penso “Nossa, o que essas crianças estão fazendo com essa pobre mulher.” Haha. Estou brincando. Normalmente ainda fico do lado das crianças porque elas não podem se defender, mas agora eu sei que não é fácil para a mãe.

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De que você mais sente falta em relação à sua vida anterior à maternidade? 

Do silêncio e da liberdade.

 

O que mais a incomoda em relação à maternidade? 

O fato dela não ser tão levada à sério pela sociedade como deveria. Se você para sua vida para ser mãe, o esforço que está fazendo é tão grande, o exemplo de desapego, de consciência, de responsabilidade são tão grandes que ninguém deveria chegar para você e falar: Você não está trabalhando? Ou qualquer crítica e comentários deveriam ser tabus. Uma mãe normalmente começa a jornada às 6h da manhã (se teve sorte de dormir a noite inteira), não tem final de semana, não tem noite livre (meu caso) então não dá para cobrar além disso. O mesmo eu vejo acontecendo com amamentação. É tanto trabalho e tanto amor dar o peito depois dos 6 meses do bebê que fico passada quando vejo mães com uma certa vergonha de dizer “eh, eu tô amanentando meu bebê de 10 meses”. E ficam envergonhadas porque ouvem críticas o tempo todo, até de outras mulheres. Ou seja, o que me incomoda da maternidade é o jeito que as pessoas têm de olhar para ela. Isso é um trabalho sério, minha gente. Mãe devia ser sagrado. Porque é.

 

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O que você gostaria de ter ficado sabendo antes do seu filho chegar, mas que ninguém nunca lhe contou? 

Eu tenho um bom ouvido. Acho estranho quando as pessoas conversam e claramente não estão escutando o que o outro está dizendo. Porque estão sempre pensando só nelas mesmas. Eu me interesso pelo que as pessoas têm a dizer então digo que já tinha ouvido tudo. Apesar de não ter tido muitos amigos com filhos, ouvia da minha mãe e das minhas tias. Agora ouvir é uma coisa, deixar de pensar que com você vai ser diferente, isso é outra coisa. : )

 

Deixe um conselho para mães ou futuras mães que estão lendo este post. 

Assuma as escolhas que você fez. Algumas mulheres se cobram muito e acabam esquecendo de regras básicas da física como: não se pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. Se escolheu continuar trabalhando, siga em frente. Se escolheu ficar em casa, não fique reclamando. Se quiser mudar de ideia, mude. A infância das crianças passa muito rápido, tente fazer com que tenham boas lembranças e bom exemplo. E não esqueça que você não é a amiga, a animadora de festas, a fada madrinha. Você é a mãe. Eles vão ver o mundo através dos seus olhos. Não espere que eles tenham qualidades que você não tem. Mas busque dentro de você aquilo que precisa ser consertado para que seus filhos não repitam a mesma história. Ter filhos é ter uma segunda chance.

Mães que Inspiram: Cris Leão

Mais sobre a Cris no blog “Antes que eles Cresçam”

 



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