Madrasteando

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Contextualizando

Faz tempo que o “universo madrasta” me circunda. Meus pais se separaram quando eu tinha 7 anos e desde essa época, me acostumei a conviver com seus novos cônjuges e respectivos filhos. Tive madrastas e vi minha mãe desempenhar muito bem esse papel durante toda a minha infância, sempre com amor, carinho e acolhimento.

A figura da madrasta sempre esteve a minha volta. Atualmente, além da esposa do meu pai, minha mãe é madrasta, assim como minha sogra. Ah! Meu marido também tem madrasta, ou seja, pode-se dizer que tenho até uma “sograsta”. Bom, acho dá para ver que não foi por acaso que vim a ser madrasta antes de ser mãe.

Uma questão de escolha

Escolher casar com uma pessoa que já tem filhos pode trazer vários questionamentos. Primeiro, um desapego ao sonho feminino da “família perfeita”, aquela da margarina.  Segundo, o famoso kit. O marido não vem sozinho, pelo contrário, vem muito bem acompanhado.

Nunca me esqueço de um dia, logo no começo do namoro com o Lucas, em que eu estava em Belo Horizonte, numa livraria bem bacana e vi um livro sobre paternidade. Tava na pilha dos mais vendidos. Eu olhei e direto pensei “vou levar para o Lucas”.

Aquilo me bateu forte. Sim, meu namorado era pai. Fiquei na dúvida. Aquele compro ou não compro era  uma metáfora para um “assumo isso ou não”.

Não só comprei, como  casei.

Mãe do coração

Conheci a Isadora com pouco menos de 1 ano. Hoje ela tem quase 5, ou seja, praticamente não lembra da vida sem a minha presença. Pensei sobre isso num belo dia em que eu estava com ela no carro, passando pelo hospital onde  ela nasceu.

Veio lá do banco de traz a  pergunta:

  • Tu tava no dia em que eu nasci?

Nossa. Era preciso ter cuidado com a resposta. Seria eu a pessoa mais indicada para contar essa história? Optei pela resposta rápida, sem muita explicação.

  • Não ( um não carinhoso )
  • Ah! É que tu tava trabalhando, né?

Quase morri. Respondi que sim, pois eu realmente devia estar trabalhando no dia 21 de março de 2010. Mesmo querendo explicar todo o enredo, achei que não era o meu papel.

Depois desse diálogo, me caiu a ficha de que para ela eu “sempre existi”. O que certamente facilita muito a nossa relação.  Amo essa pequeninha como se fosse minha filha. Ela sabe que pode contar comigo como uma grande referência de amor e cuidado. Hoje me considero uma segunda mãe, para a qual ela pode correr sempre que precisar. Mas, como me disse um amigo meu há algum tempo atrás (com experiência no assunto), não é a madrasta quem decide questões fundamentais ou participa de festinhas na escola. Nesse sentido, ser madrasta para mim é uma dança entre o querer bem e o deixar ser.

Madrasteando

A ideia dessa coluna é contar um pouco da minha experiência, das peripécias, dos momentos bons e ruins da relação madrasta-enteada e do universo que nos circunda. Vejo que existe cada vez mais madrastas e padrastos pelo mundo, mas poucos relatos sobre essa nem tão nova relação de parentesco. Espero que stepmoms (gosto muito mais  do termo em inglês) se identifiquem e utilizem esse espaço para trocar ideias e experiências.

Um beijo
Roberta



2 comentários

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  1. Roberto Hentschke

    Uau, minha filha. Que experiência deixamos para ti. Te apresentei algumas madastras. Me tirastes um pouco da culpa que tenho desde que resolvemos separar, eu e tua mãe. Aproveita este legado (hehe). Como stepgrandfather) será que existe?) adoro a Isadora (até rimou).

  2. Marrati

    Adoreiii Roberta!! Sou e sempre estive nesta posição… Amooo de ❤️ cada momento com minha entiada e filha de coração… assumi agora a posição de segunda mãe ao vir morar conosco! Os papéis são contraditórios e me pego muito em conflitos do cotidiano… então como decisão assumo a postura de pedagoga e como oriento os pais… me oriento seguindo minhas orientações… e claro sempre pensando no bem star e com mto carinho realizo minhas difíceis broncas!! Adoreii qroo saber tudo!! Orientação e discussao sobre esse assunto tao normal é maravilhoso!


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