Por que merecemos ter vida própria

Por que merecemos ter vida própria…

Esse post serve para todos os pais e mães, avós e avôs que abdicaram de suas vidas para se dedicar aos filhos…e, claro, incluo aqui não só as mães solteiras, mas pessoas casadas com companheiros ausentes (que, por infinitos motivos, inclusive trabalhar demais ou desempenhar outras atividades, não cuidam dos filhos, deixando essa função para seu (sua) parceiro (a)).

Enfim, desde que minha Gabi veio ao mundo, nunca mais consegui me organizar de forma a desenvolver minhas atividades anteriores, como ir ao salão uma vez por semana, fazer ginástica, visitar uma amiga que esteja precisando de um ombro amigo ou, simplesmente, assistir à Sessão da Tarde em uma quarta-feira de folga.

Mas este não é um post de lamúrias. Pelo contrário, é uma constatação de que a vida muda e que temos que, aos poucos, ir nos adaptando a novas realidades que até então não vivenciávamos até o nascimento de um filho. Confesso que nunca imaginei que trabalhando em esquema de plantão eu reservaria o tempo que restava de folga para levar minha filha à Turma da Mônica. Esse mundo infantil estava muito afastado de mim e das minhas relações e eu estava morta de cansada, depois de sete horas exaustivas de trabalho.

teatro Turma da Monica
Foto: Reginaldo Oliveira – Via soubh.com.br

Pois bem. Fomos à parte central da cidade debaixo de chuva, mas posso dizer que, apesar do cansaço, fui com um prazer inenarrável realizar mais uma atividade em prol da minha filha querida. Ao meu lado, a mãe de Esther, de 4 anos, uma mulher bonita, de 36. Iniciamos um papo antes do espetáculo começar e é muito divertido quando duas mães se encontram – é um encontro de almas mesmo. Pensamos mais ou menos a mesma coisa, experimentamos as mesmas sensações e, de certa forma, nos damos as mãos. Ela me contava que havia ganhado 30 quilos e que antes do nascimento da filha era muito ativa, magra e fazia academia todos os dias.

Eu, do outro lado, dizendo que havia sido aficcionada por academia e que também não tinha conseguido voltar às minhas atividades. Ela havia se separado quando Esther tinha pouco mais de 1 ano  e eu dizendo que também estava sozinha: só eu e minha filha em casa. “Admito. Passei aperto para criar Esther e tenho dificuldades até hoje. Mal consigo ir ao médico sem me bater aquele sentimento de culpa.”

Fiquei pensando que, desde que Gabi nasceu, não vou a uma festa que não seja de criança. Salão de beleza definitivamente vou uma vez ao ano para aparar as pontas da “tocha” ruiva, ressecada pelo tempo e pelo total descuido. Não faço massagem, nem saio com os amigos ou vou tomar um lanche em que não esteja com minha filhota.

Depois que pensei, pensei e pensei…cheguei à conclusão de que isso passa e que, enquanto não passa, também não precisa necessariamente ser assim. Posso sair um pouco, posso terceirizar os cuidados com a minha filha por um par de horas sem me sentir culpada. Portanto, após praticamente 1 ano e 11 meses do nascimento de Gabi, resolvi que no dia em que completo 43 anos de existência, ou seja, hoje, vou me dar ao luxo de me encontrar com meus amigos e colegas de profissão para a festa de final de ano da minha categoria. Gabi estará em boas mãos, provavelmente dormindo até a chegada da mamãe, que saiu, mas volta logo.



4 comentários

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  1. Denise

    Ellen , vc não tem motivos para se culpar de nada e te digo que a natureza foi muito generosa com vc pois continua a mesma desde a época em que fazíamos ballet! Parabéns pelo seu dia! Divirta-se, vc merece!!!

    • Ellen Cristie

      Ah, Denise! Amigas são maravilhosas com a gente! Rs…Brigada! Acho que mulher, depois que vira mãe, se sente culpada de tudo…de às vezes não estar presente, de às vezes não conseguir dar tudo de melhor para o filho, de trabalhar, enfim, uma eterna culpa! Com a Gabi crescendo, vou conseguir me “desvencilhar” um pouco! Obrigada pela força! Bjus!

  2. Ana Paula

    Engraçado como as coisas se tornam depois que temos filhos. Tenho um filho de 3 anos e 9 meses. Hoje as coisas são mais tranquilas e as vezes sinto falta de quando podia sair e não me importar com horário ou coisas do tipo….porém, sou tão feliz com meu filho. Minha mãe as vezes me dá folga, pega meu filhote e o leva para a roça no fim de semana. Mas confesso….MORRO de saudades. De tudo, dele falando que me ama, que me acha linda…sinto falta dele me chamando para brincar, sinto falta até dos pequenos aborrecimentos que nos estressam…..e quando eu o vejo depois de dois dias é como se algo maravilhoso esteja acontecendo. Quando saio penso nele, minhas festas também são todas infantis, e conheço vários parques, pracinhas em BH por causa dele. Descobri que dias felizes são aqueles que ele está do meu lado. Sinto falta de algumas amigas, mas como elas não tem filhos, sinto que nossos universos foram “separados”….apesar de continuarmos amigas. Enfim……..é isso……

    • Ellen Cristie

      Ana Paula, entendo e concordo com tudo que vc diz. As poucas vezes que saio sem a Gabi parece que está faltando alguma coisa…o passeio não é tão divertido…e fico me perguntando se isso um dia passa! Será? A verdade é que minha vida mudou bastante também e, pra melhor. O mundo infantil era totalmente distante de mim e, agora, consigo falar de filmes, peças, livros e tudo o que diz respeito às crianças….Rs…mas, enfim, o jeito é a gente tentar equilibrar esse amor, porque quando eles crescerem já sabe, né? Vão alçar voo e nós, mães apaixonadas, ficaremos a ver navios…Os filhos são do mundo (fico me repetindo isso todos os dias pra incorporar)…rs…Beijo e obrigada por participar!


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