Anos terríveis ou anos incríveis?

Anos terríveis ou anos incríveis?

Mãe Solteira
Ah, os 2 anos! Passada a turbulência positiva dos primeiros meses de vida, o primeiro ano e os meses subsequentes, eis que o bebê percebe que é um ser humano separado da mãe, que consegue verbalizar o que deseja e expressar sentimentos como o amor e a ira.

É interessante observar como, de uma hora para outra, esses pequenos seres se impõem, seja por meio da birra, seja por meio de expressões muitas vezes divertidas.

Nos últimos meses tenho passado por experiências únicas e nem sempre nós, adultos e pais, estamos preparados para tal. O que fazer no meio de um shopping center lotado quando seu filho se deita no chão e literalmente não ‘arreda pé’?

O que quer que você faça não surte qualquer efeito, a não ser a insistência da criança em ficar deitada esperando o desenrolar dos fatos ou seu próximo passo. Como diz a música interpretada pela cantora Simone, ‘desesperar, jamais’.

A pediatra da minha filha sempre diz: ‘Você tem que ditar o limite, mas com paciência, explicando à criança o que está se passando e, de preferência, “descendo” à altura da criança para que ela não se sinta inferior.

A psicóloga Cynthia Dias explica que os “terríveis 2 anos” ou “terrible two”, em inglês, pode se iniciar em torno de 1 ano e meio e se estender até os 3 anos de vida, é marcada por uma significativa mudança de comportamento da criança, que começa a se sentir livre, dona de suas vontades, ávida por experimentar o mundo e sua autonomia diante dele. “É o momento em que apenas o seu desejo lhe importa, é a época em que ela quer começar a conquistar o seu espaço, buscar o seu prazer, impor suas vontades, decidir por ela mesma. E ela não se importará em gritar, fazer barulho, bater, espernear ou atormentar quem quer que seja para atingir os seus objetivos”, explica.

Gabi fazendo birra

Veja como é fácil identificar os “terríveis 2 anos”:

–  A criança é quase sempre “do contra”!
– Se você precisa ir depressa, ela vai devagar.
– Se você pede que cante para a titia a musiquinha que ela aprendeu, ela não canta.
– Se você quer que ela vista o conjuntinho azul que a vovó lhe deu, ela irá escolher o vestido vermelho.
– Se você quer que ela empreste o brinquedo ao coleguinha, ela irá agarrá-lo com unhas e dentes.

Cynthia Dias acrescenta que é como se o filho quisesse medir forças ou mostrar ao mundo que agora é ele quem decide sobre como as coisas serão feitas… A boa notícia é que, como qualquer outra fase da vida, passa. Os terríveis 2 anos são apenas parte do desenvolvimento natural da criança, que deixa de ser totalmente controlada ou direcionada pelos pais e inicia, de forma barulhenta, seu processo de autonomia, com a tomada de decisões e escolhas próprias. “Os pais precisam ter paciência e aprender a lidar com sua ‘nova criança’. Os limites e as regras são, além de bem-vindas, necessárias, pois a criança ainda não sabe com clareza aquilo que pode ou não ser feito, já que desconhece todos os padrões de boas maneiras e os riscos que corre ao experimentar o mundo sem noção de perigo”, comenta a psicóloga.

Em outras palavras, agora é a hora de começar a ensiná-la a lidar com a frustração, a aprender a esperar, a respeitar o outro, a reconhecer seu desejo e a manifestar sua vontade por meio da fala.

Por outro lado, é a partir dos atos dos pais e de muita repetição que a criança entenderá que o mundo é feito de regras e frustrações e que a vida não é necessariamente como se deseja.

E cá pra nós…o amor por um filho é transcedental e não será uma birra ou 10 birras que farão com que isso mude.

Gabi Feliz

 

 



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