Te desejo um filho

Te desejo um filho

Ninguém é obrigado a ter filhos. Existe uma pressão para que as pessoas reproduzam-se. É a eterna inquietação do ser humano: se tá namorando, quando vai casar; se tá casado, quando terá filho; se já tem um, quando terá outro. E vai. Mas cada um tem suas escolhas e precisa conviver com elas.

Eu escolhi ter filhos. Hoje, tendo uma pequena de quase dois anos e, depois de ter visto que “não é bem assim”, posso garantir que a maternidade é transformadora. Para o bem. É óbvio que não é fácil, é óbvio que a gente vive com sono, com menos dinheiro, com as unhas descascadas e com menos tempo para nós.

Mas ter um filho é uma transformação:
– Porque desde que ele nasce você não passa um dia sequer sem dar um sorriso (o que te torna mais alegre)
– Porque você é responsável por uma vida (o que te faz esforçar-se mais)
– Porque você é o alimento nos primeiros meses da vida dele (o que faz de você um milagre)
– Porque você aprende que nem tudo é sobre você e suas vontades (o que te torna menos egoísta)
– Porque você tem que reaprender a brincar (o que te torna mais puro)
– Porque você tem que dar bons exemplos (o que ter torna mais solidário, mais saudável)
– Porque você precisa ser adulto 100% do tempo (o que te faz amadurecer na marra)
– Porque você vai amar como nunca e compreender os seus pais (o que te torna um ser humano grato)
– Porque você precisa conter seus impulsos de raiva (o que te ensina paciência)
– Porque você precisa aprender a controlar o vocabulário (o que te ensina autocontrole)
– Porque você precisa saber ensinar todo o tempo (o que é um grande aprendizado)

Uma vez li um texto que dizia que ter filhos era um ato egoísta, pois você se projeta em um ser humano, espera que ele te faça feliz e que ainda te cuide na velhice. Então eu devo ser muito egoísta porque tudo que escrevi é a meu respeito. A minha filha me transforma todos os dias. E me torna uma pessoa melhor. Eu desejo isso a você também.

Imagem: arquivo pessoal Suelen Giacomele



14 comentários

Add yours
  1. Renata

    Egoísmo e ser obrigado a se portar como um adulto com a desculpa que está fazendo isso pela criança. Se não tinha maturidade suficiente antes de ter um filho pouco provável que terá depois de por uma criança no mundo. Essa história que a pessoa muda pelo outro é conto da carochinha. Se fosse assim não teriam tantas crianças abandonadas, abusadas por seus próprios pais.

    • Ludimilla

      Renata…vc está coberta de razão. Não tenho filhos, vivo com meu esposo há 15 anos e não os queremos aqui (filhos). Viajamos, temos hobbys em separado, temos tempo para nós, saímos, dançamos, bebemos, rimos…Acordo 12:00 de Domingo. Acredito q se vc quer muito bem, faça quantos ‘fofinhos’ quiser, mas não me force a achar q um ‘muleque’ correndo pela casa berrando é um passo para o paraíso!

      • Augusto

        Ludmilla e Renata… gosto de ler os comentários de qualquer assunto na web. Em geral são muito divertidos e esclarecedores sobre a natureza humana. Petencemos à uma raça particularmente curiosa onde pessoas de mesma classe (genética, não social) tem pontos de vista completamente antagonicas sobre um mesmo tópico.
        Só queria dizer que sou casado há 39 anos e tenho três filhos. Conheço os dois lados da moeda pois tive uma (boa) fase idêntica a que você relata Ludmilla e, posteriormente, talvez na maior benesse que Deus me deu, vieram os “muleques correndo e berrando pela casa. Realmente não é o paraíso. A palavra para definir do que se trata ainda não foi inventada e só se SENTE o que é depois de tê-los.
        Fora disso é como padre falando de casamento, que só conhece por ouvir falar e pelo que vê na missa.
        Para encerrar, o importante é que as pessoas escolham um caminho para si e sejam felizes com esse caminho. Só não falem coisas por ouvir falar e por “ver na missa”.

        • Alice

          Augusto, não o conheço, mas pelo pouco que li acerca do que escreveu, sou sua fã. O livre arbítrio é parte do ser humano. Suas colocações são muito sábias, ditas por quem “conhece os dois lados da moeda” e respeita as escolhas do outro.

        • Flávia

          Muito legal sua colocação, Augusto. Só dá pra saber das reais agruras e alegrias de se ter filhos quando os temos. Eu tenho sobrinhos pequenos e convivi muito com eles, via suas bagunças, as birras, as gracinhas, os encantos mas quando são os seus próprios filhos tudo é muito diferente. Por isso só quem tem filhos sabe de verdade como é….

  2. Natalia

    Este texto diz tudo… ter filhos é o melhor que podemos fazer em nossa vida, é o que nos torna melhores, nos faz mais humanos, com nossos medos e com nossas vitórias. Claro que existe quem nao queira filhos, prefira sua liberdade, seu tempo só para si… respeito e acho que não os deveriam ter mesmo; pois folho requer abnegação, filho requer que se doe, e só se é verdadeiramente livre e completo quando se está preparado para isso, se doar 100% ao outro, sem esperar nada em troca, simplesmente por amar demais, e esse amor não caber dentro de você e ser preciso extravazá-lo ao seu redor.

  3. Isis Rejane Gamboa dos Reis

    Amei Suelen Giacomele , te entendo Ludimila, também sou sua fã Augustofoi perfeito o que colocaste, parabéns Alice concordo com o que disseste em número, gênero e grau. Este texto é muito bommmmm, vou levá-lo!!
    (AH! sou casada já fazem 38 anos, antes não queria ter filhos, e graças a DEUS tive 2, que são a melhor parte de tudo o que fiz, tenho e sou nesta existência. Obrigada DEUS!)

  4. Heloisa

    Achei o texto lindo. Minha única questão é : precisamos ter filhos pra nos tornar essa pessoa relatada? Talvez os filhos acelerem o processo mas, com eles ou não, esse deveria ser o objetivo do nosso amadurecimento de qualquer forma ☺

    • Luciana Cattony

      OI Heloisa! Obrigada pelo seu comentário e questão. Concordo com você, “com filhos ou não, esse deveria ser o objetivo do nosso amadurecimento!” Que todas nós, independente das escolhas, possamos viver uma vida para a evolução e amor! Beijos, Luciana 😉


Post a new comment