O medo do médico e o instinto materno

O medo do médico e o instinto materno

Mãe Solteira

Outro dia passei por uma situação, digamos, diferente. Fui levar minha Gabi ao oftalmologista pela primeira vez. Já estava me sentindo culpada, porque algumas amigas já tinham ido ao ‘médico dos olhos’ com seus filhos menores de 2 anos e a pediatra também havia me perguntado se eu já havia levado a pequena.

Enfim, aí está a grande vantagem da mãe solteira ou simplesmente da mãe sozinha. Ela tem que se virar de qualquer maneira. Costumo dizer que o que seria de mim se não fossem os amigos, amigas, parentes, as pessoas de bom coração ou ainda um grupo altamente qualificado. E aí incluo dentistas e médicos, mais especificamente os pediatras, sejam estes oftalmologistas, pneumologistas, cardiologistas ou quaisquer outras especialidades. 

Mas, continuando, minha filhota tem pavor do tal do jaleco branco. Mesmo nas consultas rotineiras com a pediatra, basta ver o avental para espernear, deitar-se no chão e se recusar a qualquer tipo de contato. É uma batalha para pesar, medir, verificar ouvidos, garganta e as batidas do coração. Medir a pressão arterial, nem pensar. Mesmo porque depois do choro compulsivo, o coração bate a mil por hora até desacelerar. 

A ida ao oftalmologista não foi diferente. Aliás, foi. Bem pior. Rs. Já na recepção, a baixinha começou a chorar diante de várias pessoas que seriam atendidas. Consultório lotado, ela não quis conversar. Nem a presença de uma menininha, a Nicole, de 5 anos, animou minha Gabi. 

E aí começaram os procedimentos médicos. Colírio nos olhos. Quem disse que eu conseguia segurar aqueles braços e pernas revoltosos, mais parecidos com tentáculos? Quem disse que a assistente da médica conseguia chegar perto da Gabi? Sem falar que ela chorava copiosamente e as poucas gotas de colírio que caíam corretamente perdiam o efeito quando combinados com lágrimas. 

Passada essa etapa, que foi repetida pelo menos duas vezes, a assistente nos levou para uma sala com uma máquina enorme, dizendo que lá dentro minha filha poderia ver a casinha da Peppa, aquela porquinha do desenho animado. Gabi não mostrou nenhum interesse em ver a tal casinha. Pelo contrário, queria ir embora. 

Após a desistência da assistente, que viu que `daquele mato não sairia cachorro’, foi a vez de a ‘doutora dos olhos‘ nos receber com pirulito, carinho, brincadeiras e com a Nicole perto, a menininha de 5 anos, na tentativa de convencer Gabi a  pelo menos aceitar subir na cadeira para que ela olhasse seus olhos. 

Passados praticamente 60 minutos de choros, birras e agonia, a doutora finalmente percebeu que não iria adiantar. Gabi não estava preparada para fazer o exame clínico. Resultado: a médica apenas mostrou uns desenhos em um retroprojetor e nos dispensou. E vou ser sincera: fiquei aliviada!

“Volte quando ela tiver 4 anos. Pelo que percebi, ela não tem nada, como algum problema na retina ou algo mais sério.” Na mesma semana, minha irmã me conta a história de uma mãe que, apesar de todo o zelo com seus filhos gêmeos, não havia sido informada da necessidade de levar os pequenos ao oftalmologista e que, depois disse feito, aos 3 anos de idade, um deles foi diagnosticado com um problema ocular por não enxergar praticamente nada de perto. 

Aí fico me perguntando se sou eu que estou certa, correndo o risco de criar um trauma na Gabi, ao levá-la ao oftalmologista aos 2 anos, ou essa mãe praticamente perfeita, que levou seus gêmeos aos 3 anos ao médico, e se sentiu muito culpada por não ter percebido que as quedas de um dos filhos poderia ser uma falha de visão?

Bom, não concluí nada, mas foi bom ouvir a voz da sabedoria, no caso a minha mãe: “Na época de vocês não tinha nada disso. Levei os três ao oftalmologista bem mais velhos, porque vocês tinham vontade de usar óculos. E só. Nunca tiveram nada.”

E a mensagem que ficou pra mim foi a seguinte: é melhor seguirmos nosso instinto mais primário. Além de ser feminino, o instinto é materno. E não há ninguém melhor no mundo para saber o que é melhor para os filhos do que a mãe…

 



2 comentários

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  1. Luciana Guimarães

    Rindo aqui! Manuella tinha esse mesmo pânico! O tal do jaleco branco… A verdade é que, após o tal “teste do olhinho”, ainda recém nascida, ela só foi ao oftalmologista aos 3. A pediatra falava que, se não houvesse nenhuma suspeita mais forte, não haveria necessidade de levar. E contrariando tudo e todos, ela (ainda) não apresentou a miopia… Isso por que, tem os 2 pais, 2 irmãos, 5 tios e os 4 avós, TODOS míopes! Graças a Deus! Rs. Hoje, dentro do possível, já superou o trauma. Até da dentista! Já fiquei uma manhã para ela tirar uma radiografia… Nada! Cerrou os dentes que nem meia dúzia de pessoas conseguiu abrir! Hoje, vai tranquila. Por isso, minha amiga, tenha fé que passa…

    • Ellen Cristie

      Esses momentos acabam sendo lúdicos, né, amiga? Depois que passa a tempestade a gente dá boas risadas…Obrigada pela força! Bjus!


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