Nossos filhos e o consumo

Nossos filhos e o consumo

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Uma criança também consome e aprende sobre coisas e marcas. Possivelmente, nem sempre vá ter uma relação das melhores com o consumo. Colocar coisas como intermediárias da compreensão e da autocompreensão do mundo e das pessoas distorce a escala de valores de alguma forma. O consumo forma hábitos. De todo modo, ele é uma necessidade e faz parte, além do mais, dos momentos das crianças e das famílias.

Uma hora ou outra, as crianças começam a ter a noção que é o dinheiro que permite o consumo e a relação com as coisas passa a ser uma relação com a riqueza. Tudo isso acontece ao tempo em que a criança está a formar sua identidade e se colocar dentro ou fora de grupos ou relações com o mundo. Não são apenas os pais que vão ajudar as crianças a compreender essa relação com o ter. A escola, muitas vezes ela própria uma empresa, tem uma função importante como filtro e formadora de valores nesse espaço do material. Nem sempre é uma relação controlada.

Existe muito esforço das marcas, especialmente de algumas delas, para chegar até a criança e conquistá-la. Como momento de aprender e construir capacidades, possivelmente a infância seja também uma época de educar sobre o consumo. Vez ou outra, gostamos de conversar com minha filha sobre escolhas e como elas são feitas. Consumir deve ser, afinal, escolher. Escolher o que, quanto e também em que momento. Pensar nas consequências, “essa coisa é realmente legal?”; “como eu vou usar?”. Gostamos, em casa, de mostrar que comprar é algo pensado e que é importante trabalhar a decisão. Perguntamos para nossa criança se ela já pensou o que quer, se já viu outras opções.

Mostramos que é normal entrar em uma loja para ver algo, conhecer, e que vamos sair de lá sem precisar comprar. Aos poucos tentamos colocar a ideia do valor do dinheiro, mostrar que ele vem de algum lugar, que mamãe e papai trabalham, que nem sempre têm dinheiro. Tentamos indicar que não é só porque apareceu na propaganda que é legal. Muito disso são coisas que nós adultos precisamos para nós próprios. As crianças serão adultos, muitas vezes, nos limites das capacidades e valores que aprenderam na infância.

Hábitos são difíceis de mudar e a identidade se consolida. Não sei se é a melhor ideia nesse campo do consumo, mas, de todo modo, não quero que minhas filhas – uma ainda mais nova – achem que podemos comprar coisas sem esforços e que elas dependem de coisas para se entender como alguém. Consumir é básico e permite muito, mas é preciso se movimentar por ele com capacidades e valores.



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