Abaixo a culpa

Abaixo a Culpa: um presente para as mães

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Eu não abria mão de almoçar em casa quando as crianças eram pequenas. Tinham 3, 6 e 8 anos.  
Era o momento de ver o que tinham que levar de merenda, se tinham agasalhos, 
ver o que almoçavam e me fazer presente.


bolacha Maria





Eu me arrebentava para sair do centro da cidade onde trabalhava, 
deixava o carro no estacionamento para não perder tempo, vinha de táxi.




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O micro-ônibus chegava às 12h45 para pegá-los 
e eu muitas vezes entrava em casa às 12h30m, correndo.

 






Cansei de largar as pessoas quase falando sozinhas na reunião para poder almoçar em casa. 
Outras vezes, eu cruzava com as crianças na escada do prédio por ter me atrasado. 
Frustração infinita ao voltar para o trabalho mal, 

muito mal, 

muito mal, 

muito mal, 

muito mal, 

muito mal, 

muito mal, 


me arrastando de tanta culpa.

Eu me chicoteava o tempo inteiro.

coroa de espinho

 

 

 

 

Eles cresceram, todos crescem.

 

tênis all star

















Começamos a fazer uma terapia familiar. 

As “crianças” com 19, 23 e 25 anos.

Era a “terapia da mãe”, pois não viam muito sentido naquilo. 

Minha intenção era que se aproximassem. 

Não ver entre eles repetida a relação distante que tive com meus irmãos. 

Queria que fossem amigos, eu achava que estavam longe um do outro. 













Cá entre nós,

eu queria mesmo era ver se

EU

estava longe deles.

 

 

Era a velha culpa 

abrindo a porta para espiar.

 

 

buraco da fechadura

 

 

Como me viam? O que eu poderia ainda consertar, melhorar?

 

Muito duro.

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Levei umas bordoadas na cabeça, 

tive que ouvir o que não gostaria e o pior:





entender que

a minha culpa

me levava

a fazer coisas absurdas

que nem tiveram

importância para eles.


 

Tive que ouvir de um deles:

“A mãe nunca almoçava em casa”!

Como assim? Quase tive um ataque.

 

lenço de papel

“Eu me arrebentava para sair correndo do trabalho para estar em casa com vocês”!

“Não lembro disso”,  afirmou.

 

 

coroa de espinho




Movida pela culpa de passar o dia todo fora de casa,  

eu saia correndo, almoçava às pressas,
voltava já atrasada para a reunião da tarde e NÃO era percebida 

como uma mãe dedicada que vinha almoçar com seus filhotes. 

 

Terrível,

de nada adiantou toda aquela correria.

 

 

 

A culpa foi a minha grande companheira

por toda a maternidade / vida.

Éramos inseparáveis.

 

 

inseparavel

 

Culpa de não estar em casa, se me atrasasse ao buscar na escola,
se não fosse na reunião de pais.
Culpa por estar cansada, por querer dormir domingo até mais tarde,
por não buscar na festa, por chorar, por me sentir sozinha,
por estar me divertindo num barzinho e as crianças em casa com a empregada,
por comer doces, por estar gorda, por não gostar de malhar, por fumar,
por ter rinite, por ter me separado, por ser demitida,
por gastar dinheiro com algo somente para mim, por ter namorado,
por não lembrar de tudo o que aconteceu com eles na infância
por eu não estar (oni) presente.


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CHEGAAAAAAA.

 

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Agora que as  “crianças” têm 28, 30 e 33 anos 

a culpa se transformou em 



“largo ou abro mão

do que estou programada a fazer

sempre que sou convidada

ou solicitada por eles”.

 

 

Morro de pena quando não consigo aceitar um convite para almoçar,
para ir ao cinema, para tomar chimarrão no parque, para ir para praia.
Percebo como gostam da minha presença
e querem compartilhar comigo as suas façanhas e vivências.


 

TIRA O PESO. 

 

culpa - definição dicionário

Puxa, é muito pesado isso.

 

Me sentir como uma criminosa perante a sociedade por não almoçar em casa? 

Afinal, onde eu estava? Abanando as tranças pela vida? 

Me omitindo da responsabilidade de ser mãe?

Claro que não,

estava trabalhando. Ponto.

E muito feliz.

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Aquela ideia de tempo com qualidade,

mesmo pouco, eu assino embaixo.

 

A gente precisa de presença plena apenas. 

 

ursinhos abraçados

Por exemplo, algumas situações onde a culpa não entra:

 

Deitar no chão para brincar. Contar história. 
(15 minutos)

Largar o celular e ouvir, atentamente, o que o filho está dizendo. 
(3 minutos)

Prestar atenção nas estórias que eles contam. 
(10 minutos)

Reconhecer, elogiar mostrando o positivo. 
(1 minuto)

Deixar que tropecem, que chorem, que se frustrem. 
(5 minutos)

Dizer não, dar limite, criar rotina. 
(automático)

 

 

flores para maes

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Acontece que quando a culpa entra, a gente faz concessões para compensar. 

Podemos ter a sensação de estar sempre no negativo.


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cofrinho em formato de porquinho

Na conta corrente

da mãe sem culpa

sempre tem crédito,

aquele dinheirinho

pra se gastar com coisas

que trazem prazer.

 

baloes

Feliz todos os dias com crédito!

 

 


 

Coração

Este post foi feito com muito carinho e nenhuma culpa pelas mães

Dulce Ribeiro & Luciana Cattony

Dulce Ribeiro    Luciana Cattony

Dulce Ribeiro: Consultora e coach do Instituto Ecosocial, certificada pela ICF (Internacional Coaching Federation). Mestre em Ciências Sociais com ênfase em antropologia das organizações. Especialista em comunicação e em Gestão Estratégica de Recursos Humanos. Graduada em jornalismo. Professora dos cursos de pós-graduação da ESPM-Sul (Escola Superior de Propaganda e Marketing) e da PUCRS. Autora dos livros: “Ainda temos Jeito, uma nova atitude para o atendimento”; “Você, a diferença na era da relação” e “Amor com amor se paga, a nova moeda no mundo do trabalho”.

Luciana Cattony: Publicitária, designer de interação e idealizadora do Projeto Real Maternidade. Depois do nascimento do Henrique, teve a sua vida revirada. Trocou o emprego fixo em agência de publicidade por “freelas” para ficar mais tempo com o pequeno. Incomodada com a glamourização excessiva da maternidade e um certo “silêncio” da sociedade sobre o “lado B” de ser mãe, resolveu criar o Projeto Real Maternidade. Um Projeto que aborda a maternidade da vida real com leveza e criatividade numa tentativa de minimizar a culpa das novas mães, atualmente tão cobradas pela sociedade e por elas mesmas.


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