Ninho Vazio

Ninho vazio

Sabe quando te contam uma experiência e você se assombra (ou é assombrado) por ela? Para algumas mulheres, ainda sem filhos, pode ser o medo da hora do parto, ou das noites insones com o bebê, ou ainda as primeiras saídas para festas na adolescência… 

Como as coisas da vida foram se apresentando sem muita “ante-sala” para mim, quando percebi já estava com um bebê engatinhando, noutro dia com um pré adolescente cheio de espinhas e, mais uma piscada, um jovem universitário… Tudo muito rápido! O que mais me assombrava era a síndrome do ninho vazio.

Essa perspectiva de saída de filhos de casa é uma emoção estranha de lidar, pois por um lado queremos que eles se tornem adultos, se sustentem financeira e emocionalmente; mas por outro lado, queremos fazer o bolo favorito sempre e ter certeza de que estão alimentados e seguros. Uma situação parecida de quando meu filho era pequeno, aprendendo a andar e eu nunca sabia qual era o momento exato de largar sua pequena mão rechonchuda para que desse os primeiros passos: não sabia se ia realmente caminhar ou cair e se machucar.

O fato é que eles se machucam, por mais que nós mães façamos o possível e o impossível para que isso não aconteça! E sair de casa para morar sozinho ou casar, ou mesmo dividir apartamento com amigos, faz parte deste ensaio na vida adulta, deste cair e levantar.

Quando meu filho saiu de casa, há um pouco mais que um ano, fiquei me sentindo uma mãe desnaturada, por permitir que o filho, fosse morar sozinho. Fiquei achando que iria sentir a casa ampla demais, com a ausência dele, e que não conseguiria me movimentar nesse vazio.

O mais impressionante é que todos esses fantasmas de síndrome do ninho vazio, de conversas ouvidas de outras mulheres que passaram por essa experiência, no meu caso, foram somente isso, fantasmas.

Claro que senti a falta dele em casa, da desordem ruidosa, das jantas com os amigos, e das longas tardes de domingo tocando violão, como não sentir? Mas estou lidando de maneira tranquila, e quando a saudade aperta, faço almoços no sábado, com direito a muita sobremesa.

Foi caindo e levantando que o meu menino tem demonstrado a cada dia sua capacidade de andar com as próprias pernas, e isso por si só, já me faz orgulhosa da habilidade dele de enfrentar as adversidades da vida, e ir atrás do que sonha. E a casa, que eu imaginava grande e vazia, se revelou íntima e acolhedora, onde me movimento muito bem sozinha, e venho encontrando em mim coisas que desconhecia.

Claro que ainda é recente este novo cotidiano para ambos, mas prefiro pensar que é o início de uma nova fase, em que o relacionamento mãe e filho passa para outro patamar: o de dois adultos que se compreendem e se respeitam como são. Fantasmas, por enquanto, resolvidos!

E você? Como foi ou está sendo a sua experiência?



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