tornar-se um adulto

Tornar-se adulto

Sabe essas frases prontas do tipo: “uma vez mãe, sempre mãe”? Pois é, o pior é que elas estão certas. Seja com crianças pequenas, adolescentes ou mesmo com filhos crescidos morando longe, o sentimento de uma mãe não muda. Queremos proteger, alimentar, saber se estão felizes e saudáveis, se escovaram os dentes ou se compraram meias novas.

Agora, como estabelecer o que é um carinho de mãe e o que é superproteção depois que eles são adultos? Ou ainda: quando sabemos que nossos filhos se tornaram adultos? Há tempos atrás, acredito que devia ser mais simples; eles casavam, saíam de casa e pronto: iniciaram a vida adulta. Mas e hoje, quando eles ficam em casa até quase os 40 anos, ou vão morar sozinhos antes de saberem o que querem para suas vidas?

Nós mães, passamos tanto tempo trocando fraldas, levando e buscando da escola, fazendo as tarefas, administrando as crises da adolescência, que é comum não sabermos quando parar. É tão mais fácil fazermos pelos nossos filhos as tarefas que julgamos corriqueiras, mas que compõem o cotidiano de um adulto, como lavar e passar a roupa, cozinhar e tantas outras… Mas o ponto é: como eles se tornarão adultos se assumimos todas essas demandas?

Eu sou de uma geração que saiu de casa muito cedo, aliás, que fez tudo muito cedo! Atualmente, em nossas reuniões de família, a frase que os jovens mais detestam ouvir é a que começa com “Na tua idade, eu…”. Porque realmente, na idade em que eles estão fazendo festas e decidindo que rumo tomar, nós (os mais velhos) estávamos com crianças no colo e já assumindo responsabilidades de adultos, embora quase adolescentes. O que nossos jovens talvez não compreendam é que fizemos tudo tão cedo para que eles possam se demorar mais nas suas escolhas, ou ainda, para que possam fazer escolhas que nós não tivemos oportunidade. 

Ainda não tenho clareza sobre os limites entre o carinho de mãe e a superproteção, mas sei agora que essa travessia dos filhos se tornarem adultos é também percorrida pelos pais. Assim como na infância e na adolescência a gente os guia com orientações e valores para que eles cheguem tranquilos na idade adulta, precisamos aprender a lidar com nossos filhos, agora nesta fase. Mas uma coisa é certa: aquela longa e desafiante trajetória de aprendizado continua a mesma: a de largar a mão e permitir que caminhem, mais uma vez, sozinhos…

Uma vez mãe, sempre mãe, não é mesmo?



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