A maternidade, esse coelho saltitante

A Maternidade, esse coelho saltitante!

Alice, quando se aventura atrás do coelho no País das Maravilhas, percebe ao cair que “ou o poço era muito fundo; ou ela caía muito devagar, porque enquanto caía teve tempo de sobra para olhar à sua volta e imaginar o que aconteceria em seguida.” Penso que muitas das situações que eu já me deparei como mãe são semelhantes às aventuras de Alice correndo atrás do coelho. Seja esse coelho o meu filho pequeno, ou seja o coelho as questões que ele me trouxe e continua trazendo até hoje.

A aventura de Alice, em analogia com a minha e a de tantas mães, é a da transformação através da experiência, ou ainda, da jornada que nos transforma ao mesmo tempo em que criamos e transformamos nossos filhos em adultos. E por mais que a gente tente imaginar o que vai acontecer em seguida, assim como a Alice; ser mãe é sempre uma surpresa pois “o poço é muito fundo e está escuro demais para se ver alguma coisa”. Não sabemos o que nos espera quando estamos esperando um filho: o que temos nesse momento é a nossa expectativa, a experiência dos outros e os nossos sonhos. O nosso papel de mãe só vai sendo desenhado à medida em que vamos “caindo no poço”: no cotidiano das fraldas, brincadeiras, mau humores adolescentes, formaturas e primeiros empregos…

A jornada pode parecer escura, mas confesso que a minha foi iluminada pelos desenhos dos “Smurfs” e “Thundercats”, que eu e meu pequeno assistíamos hipnotizados. O que eu não percebia na época é que esse divertimento entre mãe e filho transformava os dois, até por trazer um interesse em comum. Na infância, foram os desenhos; depois as palavras cruzadas, os livros de Harry Potter, o interesse pela música, as séries de TV, a literatura, e agora, acabamos de voltar de uma viagem à FLIP (Festa Literária Internacional), em Paraty. O mais interessante nessa relação é que somos extremamente diferentes sendo, ao mesmo tempo, bastante parecidos.

Tem sido uma caminhada inusitada essa de ser mãe! Ao mesmo tempo igual e diferente da experiência de outras mães. Igual porque muitos sentimentos e reações se aproximam do que, por exemplo, minha mãe e minha irmã sentem em relação aos filhos. Mas diferente porque cada filho é único, com sua personalidade e opiniões. Uma coisa é certa: toda mãe tem a certeza absoluta que seu filho é o mais bonito e inteligente do Planeta, e não sou exceção! 

Alice, ainda atrás do coelho, tem a sensação de estar “caindo, caindo, caindo. A queda não terminava nunca?” E é aí que afirmo com toda a certeza: mesmo que o poço esteja escuro demais e não consiga enxergar o que está por vir, se entregue à queda e lembre-se que o aprendizado e a riqueza de experiências que um filho proporciona não acaba nunca, nem mesmo quando eles crescem!

Desejo, de coração, que experimentem sempre o “país das maravilhas” de vocês. E viva a maternidade!



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