Pais sem saber

Como lidar com tantas teorias na educação dos filhos?

Cada hora aparece uma notícia sobre efeitos de algo sobre a infância. Parece que tudo influencia o futuro de uma criança. A maternidade e a paternidade parecem, além do mais, cada vez mais autoconscientes. Mães e pais são agora capazes de explicar o que pensam sobre uma infinidade de aspectos na vida dos seus filhos. Sobre higiene, convívio, viagens, amizades, escolas e por aí vai. Por outro lado, o mundo fica um tanto mais complicado.

Quando era criança, pelo que me lembro ou imagino, tudo se organizava para que, completados os estudos, a vida não tivesse muito por onde dar errado. Hoje, existe a incerteza sobre quais habilidades, quais profissões, quais recursos e quais estímulos serão importantes em vinte ou trinta anos. Seja por esses motivos ou por outros, aparece um dos elementos possíveis na vida das jovens famílias, a preocupação. E a preocupação caminha junto com a reação à preocupação. Além da vida da criança, existe a própria preocupação com a identidade do pai ou da mãe. Afinal, como você educa seu filho vai dizer também sobre como você é ou como aparenta ser.

Para piorar, parece que nada é permanente. Aparecem os modelos de pais e linhas de pensamento. Já vi odes aos franceses e aos asiáticos. Já vi doutrinas sobre vacinas, divergência sobre efeitos da televisão e outras tecnologias, discussões sobre tempo livres e atividades infantis. Parece que existe uma sigla, o STEM, em inglês, para o ensino de ciências, tecnologia, engenharia e matemática, como fundação da educação ou algo assim. Além do mais, existem estudos sobre a grande divergência na infância.

As crianças estimuladas, de famílias economicamente seguras e ambiente afetivo estável viveriam em um mundo com muito mais perspectiva do que aquelas sem essas condições. Daí existem os rótulos. Um dia tive que entender o que eram as mães helicópteros e as mães tigres. Além do mais, descobri que as coisas mudaram e que migramos daqueles pais permissivos para os pais intensivos. Estamos por aí para estimular nossos filhos, provocar suas habilidades cognitivas e sociais. E assim, ficamos onipresentes na vida de nossos crianças, ao mesmo tempo em que queremos que elas desenvolvam a autonomia, o autocontrole (mais o primeiro que o segundo) e a criatividade (esse mais que todos, afinal, quem não ama uma criança ultramegacriativa?).

Parte das conversas caminham agora exatamente para o excesso de pais ou de atenção dos pais sobre os filhos. Estão falando do “overpareting”. Os pais estão metendo seu bedelho em tudo. É difícil saber o meio termo entre transformar a criança em bibelô e não conviver ou estimular adequadamente.

Eu, particular e levianamente, acho que os pais devem estar presentes. Não confio muito na formação autossuficiente da pessoa. E isso inclui os filhos já algo maduros. O aconselhamento dos pais, por exemplo, em minha desinformada opinião, deve permanecer inclusive após o filho ter abandonado o lar. Claro que existem limites. Um deles é a própria diversidade entre as gerações. Criamos crianças para a vida adulta em, talvez, vinte anos. Uma vida sobre a qual não temos, sinceramente, muita ideia. Essencialmente, porém, a vida dos pais com as crianças não é apenas a educação delas. Ficamos com nossos filhos, principalmente, pelo convívio em si. E são como as famílias devem ser. Simplesmente famílias.



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