igualdade de gênero

Entre bonecas, carrinhos, balé e judô…

Em menos de 15 dias, me deparei com três situações que não dizem respeito especificamente às crianças de 2, 3, 4 ou 5 anos,  porque para elas tudo é muito natural, mas à sociedade da qual fazemos parte e ao futuro que estamos traçando para nossos filhos.

E aí está um resumo das situações:

1) Um menino de 2, 3 anos quer fazer balé e uma menina de 5 anos quer fazer judô. 

2) Uma menina de quase 3 anos diz que as cores rosa, amarelo e vermelho são de meninas e azul, marrom e verde são de meninos.

3) Algumas mães com filhos no maternal questionam a escola sobre o banheiro unissex da instituição utilizado pelas crianças.

E, por último, a sociedade que polemiza e condena termos como ‘ideologia de gênero’, como se fossem palavras satânicas em um momento em que as minorias tentam, a trancos e barrancos, se posicionar diante de tantos preconceitos. 

Numa ponta, nossas crianças… que desconhecem rótulos, que brincam com bonecas e carrinhos, mesmo reconhecendo que os meninos tem “pintinho”e as meninas “pererequinha”. 

No meio a escola, que nem sempre sabe o que fazer, mas tenta, com a anuência da família, proporcionar um dia a dia prazeroso para as crianças. 

E na outra ponta, os pais, que querem o melhor para as crianças, mas que, para isso, algumas vezes tentam cercar os filhos dos ‘riscos’ do mundo lá fora, como se esses filhos não tivessem olhos, ouvidos e boca. Por outro lado, é difícil lidar com a sexualização exacerbada e precoce de crianças de 8, 10 anos…

Sob o olhar atento de uma especialista, reproduzo abaixo as palavras da psicóloga Cynthia Dias Coelho:

“A melhor coisa afazer para mudar o comportamento das pessoas e tentar acabar com o preconceito é educar as crianças. A questão é que quem educa as crianças são os adultos, muitas vezes cheios de preconceitos que acabam por contaminar seus filhos, com conceitos ou valores deturpados.

As crianças têm, naturalmente, uma facilidade em lidar com as diferenças e convivem bem com as pessoas, aceitando-as da forma como elas são. Elas não se incomodam se o menino gosta de boneca ou se a menina gosta de jogar futebol e encaram tudo com naturalidade. Elas aceitam as diferenças físicas ou psicológicas e se adaptam bem aos colegas, principalmente se forem orientadas a respeitar o “jeito” de cada um. 

O conceito da ideologia de gênero e a ideia de sua implementação nas escolas surgiu com o objetivo de acabar com a homofobia e o preconceito ligado a orientação sexual. Por ser algo muito recente, ainda não existem dados a respeito de sua eficácia na prevenção e/ou erradicação do preconceito ligado ao gênero. Mas é preciso cuidado e atenção na hora de sua implementação para não gerar uma sexualização precoce, trazendo questões ligadas à sexualidade que ainda não surgiram no desenvolvimento psicológico das crianças. 

A sexualidade infantil se desenvolve de forma individual, dependendo de cada criança, variando conforme o ambiente familiar e as experiências vividas por cada um. Os valores familiares são de extrema importância neste momento e os pais devem ter a consciência de que seu exemplo educa muito mais do que as suas palavras. 

Assim, se determinada questão é vista como um problema para os pais, a tendência é que os filhos se sintam incomodados com aquilo a partir do momento em que tal questão seja por eles percebida. Por exemplo, se um menino for matriculado nas aulas de balé, as crianças tendem a achar natural a sua presença, mas se elas ouvirem de seus pais comentários preconceituosos ou questionamentos acerca da “masculinidade” deste menino, há grande possibilidade de elas começarem a estranhar a presença um de menino numa atividade, que por questões culturais, é predominantemente feminina.

Na faixa etária de 2, 3 anos, as crianças não precisam de banheiros exclusivos para meninas ou meninos. Na maioria das escolas, o banheiro é único e isso não traz nenhum tipo de problema para elas.”

Assim sendo, acredito que o preconceito parta dos adultos… nunca de nossas crianças. Por isso, é importante que o exemplo parta de nós, pais e mães. Que possamos criar nossos filhos de maneira aberta, aceitando o diferente, ou que, caso ele seja o diferente, que tenha sabedoria e força para seguir de cabeça erguida, já que o amaremos da mesma forma ou até mais. 



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