Deixa o menino ir

Deixa o menino ir!

Outro dia li uma pesquisa sobre a longevidade da população. Segundo os pesquisadores, pessoas que têm filhos antes dos 24 anos, vivem menos. Isso me chamou a atenção, já que fui mãe antes desta idade. Como se a função de ter filhos jovens e prepará-los para o mundo nos tornassem obsoletos. Mais ainda: como se existisse o momento em que a gente dá por terminada a missão de ser mãe ou pai…

Essa leitura me fez refletir sobre o processo de transformação que passamos com o crescimento de nossos filhos, que envolve o envelhecimento que estou vivendo e também a jornada de amadurecimento do meu filho. Passadas as dificuldades dos anos iniciais e a turbulência da adolescência, hoje ambos somos adultos em fases diferentes da vida e percebo que a distância entre gerações diminui a cada ano.

A transformação dessa relação em que eu não preciso mais me preocupar se ele vai passar de ano ou se está comendo verduras, mas que passo a assumir um outro espaço na vida dele, agora como mãe de um adulto, é o que venho compartilhando por aqui. Confesso que nessa nova “dança” em que ele assume responsabilidades e eu aprendo a lidar com o homem e permito que o menino fique somente nas fotografias, eu não conheço os passos. E, para ensaiar um pouco, escrevo e conto com a ajuda de vocês que acompanham os meus textos.

As experiências que tive com meu filho criança foram extraordinárias. Porém, a beleza de se relacionar com ele adulto e compartilhar interesses é incomparável à qualquer outra relação que construí ao longo da vida! Quando crianças, a gente cuida, protege, ri quando dizem que vão ser astronautas ou outra profissão excêntrica; mas depois que crescem, precisamos aprender a aceitar que fazem suas próprias escolhas e traçam seus próprios caminhos.

Aprender a escutar o meu filho adulto tem sido um desafio! Muitas vezes sinto como se os papéis estivessem invertidos; as pessoas me olham e pensam: lá está uma adulta.  Mas na verdade percebo que, à medida que ele amadurece, estou gradativamente virando criança. E como dizia Erasmo Carlos: “sou uma criança, não entendo nada”.



1 comentário

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  1. Georgina Munaier

    Adorei o texto e quando for mãe espero conseguir lidar com isso tão bem quanto ela! Como sou muito jovem ainda estou do lado “do filho” e não consigo imaginar o quão difícil deve ser a tarefa de acompanhar o nosso crescimento com cuidado mas sem a obsessão por controle! Vejo que as vezes essa é a dificuldade de alguns pais! Texto realmente bacana!


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