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O pós-parto é PUNK!

Basta a gente ficar grávida, para começar a ouvir: “Parabéns! Sua vida vai se transformar para melhor”, “Filho é a melhor coisa da vida”, “Prepare-se para a maior emoção já sentida”, “É lindo!”, “Filho dá sentido à vida da gente”, “A maternidade é luz”, dentre outras… Não que eu discorde dessas afirmações, aliás, assino embaixo de todas elas. Porém querida leitora,  considerando que “a maternidade é luz”; o que nem todos comentam é que onde há luz, há também sombras! E que assim que uma mãe de primeira viagem ganha seu bebê, as frases escutadas, na maioria das vezes, parecem não fazer sentido algum.

O que se sente no pós-parto, ao contrário do que se escuta durante toda a gestação, é um esgotamento físico e mental extremo, resultado de sentimentos antagônicos e emoções nunca antes experimentadas. Uma explosão de hormônios, dúvidas, medos e ansiedades que se misturam às lembrancinhas de maternidade, fraldas, pomadas de assadura, visitas, teorias, palpites e muitas lágrimas.

Vale lembrar que a linguagem do bebê neste período é ainda ausente de significados para a nova mãe. Será este choro de fome? Sono? Fralda cheia? Cólicas? Falação na casa? Perfume de estranhos? Visitas que não usam o álcool gel? Cadê o “glamour” e a transformação da vida para melhor, minha gente? É puxado demais!

A dura realidade coloca em xeque a capacidade de “ser mãe” de várias mulheres, que a partir das situações experimentadas se sentem ainda mais abaladas emocionalmente e mais culpadas. Segundo a autora Laura Gutman em seu livro ‘A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra’, “as mulheres puérperas têm a sensação de enlouquecer, de perder todos os espaços de identificação ou de referência conhecidos; os ruídos são imensos, a vontade de chorar é constante, tudo é incômodo, acreditam ter perdido a capacidade intelectual, racional. Não estão em condições de tomar decisões a respeito da vida doméstica. Vivem como se estivessem fora do mundo; vivem, exatamente, dentro do mundo-bebê.” Tá vendo, amiga? Isso não acontece somente com você! É mais normal do que se imagina.

Quando a gente se torna mãe, a gente acha que nunca mais vai poder sair de casa ou tomar um banho demorado… A impressão é que a nossa vaidade vai aos pouquinhos para o lixo a cada troca de fralda. E por que tão pouco se fala sobre isso tudo? Por que as próprias mães e a sociedade em geral nem sempre “dão a real” sobre os desafios que surgem com a chegada do bebê? Por que as propagandas apresentam mães sem olheiras, milimetricamente penteadas, com bebês perfeitos que só dormem em cena? Está faltando vida real nessa novela…

E por falar em vida real, você já parou para pensar que quando a gente compartilha nossas dores ou angústias, tudo parece mais leve? A proposta desse texto é justamente essa: a de tentar levar leveza e aliviar um pouco a carga. E fique bem tranquila pois essa fase delicada vai passar mais rápido do que você imagina! Assim como acontece após a tempestade nos campos, lindas e novas flores vão surgir. E então, você estará mais preparada do que nunca para admirar e aproveitar o tesouro mais valioso de sua vida: a maternidade. Ah, e sabe aquelas frases lá de cima? Farão TODO o sentido!

Finalizo este texto com um relato da jovem texana, Danielle Haines, que literalmente mostrou “a real do puerpério” e que bombou nas redes sociais:

danielle haines

“Esta é uma foto minha três dias depois do parto. Eu estava tão crua e tão aberta, eu estava uma bagunça. Eu amava o meu bebê, eu sentia falta do pai dele (ele voltou a trabalhar naquele dia), eu estava brava com a miha mãe, meu coração doía pelo meu irmão porque minha mãe nos deixou e agora eu tinha um menininho que parecia com ele, meus mamilos estavam rachados e sangrando, meu leite estava quase descendo, meu bebê estava ficando realmente com fome, eu estava me sentindo triste porque as pessoas matam bebês, tipo, de propósito, eu não dormia desde o momento em que entrei em trabalho de parto, eu não sabia como tirar meus seios, minha vagina doia porque eu ficava sentada muito tempo enquanto amamentava, eu estava quase enlouquecendo.

Katie veio para a minha casa e me alimentou na manhã em que esta foto foi tirada. Ela deveria ter parado ali para me dar almoço. Então uma de minhas sete irmãs veio naquela noite para trazer jantar para a família, Sarah. Sarah tirou esta foto de mim. Ela entrou com a comida e disse: ‘Oi! Como você está?’ Eu disse: ‘Estou uma bagunça’. Conversamos, ela escutou, ela disse, ‘Eu estive bem aí onde você está’. Me ajudou saber que ela ficou louca um dia também!!! Então ela disse: ‘Eu sei que isso pode parecer meio maluco, mas, você tem uma câmera? Você está tão crua e tão bonita’. Estou feliz que ela tenha tirado essa foto. Ela estava apenas planejando deixar a comida. Ela acabou ficando por muito mais tempo. Eu precisava dela. Ela sabia disso. Eu liguei para Rachel, eu precisei dela. Eu precisava dela para amamentar meu bebê, eu precisei de mais ajuda com a alimentação. Eu liguei para Shell. Eu precisava que ele me dissesse que meu bebê estava bem.

Este é o pós-parto real, mamães. Aquelas de vocês que passaram por isso antes poderiam compartilhar o que sentiram imediatamente depois do parto? Eu tive um pós-parto mágico. Não foi fácil, mas tive tanto apoio e fui alimentada e lembrada de que outras mães passaram por essa parte da maternidade antes de mim e de que eu sairia disso bem também”

Beijos e até a próxima!
Com carinho,
Luciana

 

 



5 comentários

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  1. Denise

    Parabéns Luciana, você descreveu perfeitamente, e o texto da Danielle completou todo o sentimento que as mamães não falam. Talvez se eu soubesse antes, seria mais fácil. O meu bebê está com 2 meses e 20 dias, passei por isso faz pouco tempo e as vezes ainda me sinto sem liberdade para fazer as coisas, mas sei que vai passar e tbm sei que alguns dias serão mais desafiadores do que os outros. E tenho certeza que as frases do início do texto farão muito sentido. Beijos e grata pelo texto.

    • Luciana Cattony

      Oi Denise! Muito obrigada pelo comentário. Se eu também soubesse dessas coisas, acredito que teria sido um pouco mais fácil também! As pessoas “glamourizam” muito a maternidade, né? E com isso a gente se sente o “ó”! A certeza de que vai passar e de que não há nada como um dia após o outro nos tranquiliza… Muita saúde física, mental e espiritual para vcs! Beijos, Luciana <3

  2. Lais

    Luciana, eu passei por esse sufoco a 1 ano e 8 meses atrás. Minha princesa nasceu de cesária, pq não fui instruída direito e minha vontade de parto normal foi por água abaixo. Quando ela nasceu meu leite não desceu, fiquei no hospital por 3 dias e nada de colostro, somente alimentação por fórmula, e eu chorava constantemente. Fomos pra casa e a minha vida virou de cabeça para baixo, peitos jorravam leite e a minha filha não mamava. Tirava cochilos de 30 min e ficava 1h e 30 chorando dia e noite sem parar, e eu chorava junto. Cheguei ao ponto de dizer para minha mãe, amei ficar, estar grávida, mas odiei ser mãe. Ela não sabe que eu sou a mãe dela, nem para de chorar quando eu a pego no colo. Era pra ser instantâneo isso, ela saber que sou a mãe dela, as conversas de barriga, a musica da barriga, a troca de informação foi pouca. Minha filha chorou 7 dias a fio e eu não sabia o q era, meus peitos estavam completamento cheios e ela não mamava, bombas dos mais diversos tipos eu usei para que o leite fosse dado a ela, as mais terríveis dores, sendo arrancados de mim, e eu aguentei, fui firme até o fim, precisava alimentar, até que meu peito inflamou (tive inflamação por conta da concha que eu usava e não fui em momento nenhum instruída a retirar e deixar os seios respirar por alguns momentos), tive febre, sangramento, não poderia mais alimentar minha filha, ela foi pra fórmula e dormia 7h a fio, ela chorou de fome e eu me cobrei mto, durante mto tempo me cobrei,a credito que até ela completar 1 ano ainda me cobrava por não ter lido todos os sinais que ela me dizia. Tive que secar meu leite, pois cheguei ao ponto de não conseguir mais pegar minha filha no colo e ela toma fórmula até hoje. Foram os piores 40 dias da minha vida, mas depois desse período era como se nada tivesse acontecido. Ela chorava tanto que eu tinha vontade de joga-la pela janela, de tanto que chorava e eu não conseguia fazer para acalma-la…Realidade de uma mãe de primeira viagem, mas que hoje em dia, faria tudo exatamente igual, pois foi um crescimento mútuo, um amor sem explicação.
    Beijos e obrigada pela leitura, me identifiquei perfeitamente.

    • Luciana Cattony

      Meu Deus, Laís!! Nossa, consigo imaginar o quão duro foi! Mas como você disse, a maternidade ensina e a gente cresce muito com tudo isso né? Que bom que conseguiu superar tudo isso rapidamente e que o amor que ficou no lugar de todo desespero é “sem explicação”. Muito feliz por vc, seu exemplo, força e sobretudo AMOR. Muita saúde e alegrias à sua família. Beijos com carinho, Luciana 🙂

  3. Vivian

    Estou passando por isso meu bebê tem 14 dias após o parto me senti orrivel porque ele não foi planejado senti que a minha vida tinha acabado fico pensando que perdi a liberdade e nao vejo a hora dele crescer pois assim eu sinto que será mais fácil sinto falta de estar grávida parecia ser mais fácil espero que essa fase passe logo não durmo mais direito só queria dormi uma noite toda e poder ficar um dia todo com o meu marido. Mais já amo muito ele pois ele precisa de mim estou tentando ser forte por ele. Esse texto me motivou muito pra seguir em frente e não desistir! Não está sendo fácil agora mais vai valer a pena daqui pra frente.


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