Ensine valores financeiros aos seus filhos

Ensine valores financeiros aos seus filhos

A maternidade é uma experiência única que vem acompanhada de tantos sentimentos que até parece uma montanha-russa emocional. Começa com o encantamento com a chegada de mais um integrante da família e segue até o desespero de querer tomar sempre as decisões certas sobre o futuro da criança.

Dentre tantos desafios que a maternidade traz, uma das grandes preocupações dos pais é em relação à educação de seus filhos. Não somente quanto a escolher uma boa escola, mas é também sobre os valores que a criança irá absorver ao longo de sua vida. Pode-se aproveitar, por exemplo, quando a criança briga com seu coleguinha por não querer dividir algum brinquedo, para ensinar a importância de se compartilhar, assim como aproveita-se outras situações adversas de mau comportamento para trazer algum ensinamento em sua criação. Mas e quando o tópico é dinheiro? Você sabe como direcionar bons ensinamentos sobre finanças para os seus filhos?

Assimilar o que pode e o que não pode, os momentos certos para gastar dinheiro e colocar limites é uma tarefa complicada para os pais, principalmente com a quantidade de estímulos com os quais lidamos diariamente. A professora de contabilidade e gestão financeira do IBE-FGV, Eliza Lippe, concorda que a educação financeira deve começar a ser formada desde cedo e dá algumas orientações sobre o assunto. “Sugere-se que a partir dos 4 anos de idade as crianças já têm noção de matemática. O importante é sempre haver um diálogo entre os pais e os filhos para que as crianças desde cedo tenham a consciência do valor de determinado produto e o quanto que os pais podem pagar por ele”.

O importante é que os pais tenham tato para encontrar a melhor linguagem para que os pequenos consigam ter essa consciência sobre dinheiro. “Uma da sugestões que os especialistas dão a esta questão é apresentar, dentro de casa, um modelo de economia doméstica, destinando a cada membro da família a responsabilidade de um determinado setor. Pagando e reconhecendo por cada tarefa cumprida. Deste modo, as crianças, desde cedo saberão que se cumprirem as tarefas poderão ganhar seja dinheiro, seja reconhecimento, o que ajudará na formação da personalidade da criança”, exemplifica a professora.

A partir destes pilares, os pais terão mais facilidade para impor certos limites de uma forma mais realista. A especialista reforça que isso é importante, que é preciso mostrar às crianças desde cedo o que é possível comprar com a receita da casa, com o que é possível gastar e aquilo que está fora da realidade. Se a criança, por exemplo, fica interessada em ganhar um brinquedo que é lançamento, mas os pais não tem condições de comprar ou não querem dar o presente fora de uma data especial, algumas opções são mostrar a ela o que é possível fazer com o valor daquele brinquedo (custear os passeios na viagem de fim de ano, por exemplo) ou, em casos de crianças um pouco mais velhas, incentivá-las a juntar o valor da mesada para a compra.

Aliás, quando o assunto é mesada, a especialista recomenda a supervisão dos pais para o controle do dinheiro. “Uma das sugestões é indicar o cofrinho de dinheiro para que eles guardem as mesadas que ganham. O cofrinho ficaria sob a responsabilidade da criança, porem com a supervisão do adulto. Assim, quando a criança quiser comprar determinado produto, terá que dialogar com os pais para comprá-lo, ou seja, apresentar argumentos que sejam importantes para delimitar a compra. Em contrapartida, os pais podem mostrar o que é importante ou não”, ressalta.

É interessante também estabelecer algumas responsabilidades para serem cuidadas com o dinheiro da mesada, para que as crianças não associem o dinheiro apenas como um meio de consumo, mas também para que entendam que existem custos fixos dentro de um orçamento. Reposição de materiais escolares ao longo do ano, por exemplo, pode ser uma das coisas a ser considerada como responsabilidade do dinheiro da mesada. Com paciência e supervisão no direcionamento, os pais são capazes de dar meios para que as crianças criem uma relação mais racional e realista com dinheiro posteriormente.



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