Consumo X Simplicidade das Crianças

Consumo X Simplicidade das Crianças

Consumo, consumo e consumo… Curto muito o Natal e os reencontros que ele proporciona, mas depois que me tornei mãe, fiquei mais reflexiva quanto a essa coisa de atender aos pedidos das crianças e aí me refiro não somente aos filhos, mas às crianças em geral.

Como encontrar o equilíbrio entre satisfazer os anseios dos pequenos e, ao mesmo tempo, não exagerar na escolha dos presentes? Dezembro foi um mês muito corrido, não é diferente para ninguém… mas pincei algumas coisas interessantes…

Em novembro, por exemplo, ao ser questionada pela avó sobre o que gostaria de ganhar no Natal minha filha respondeu: “Quero presunto!”… no início fiquei meio sem reação, pensando que talvez ela não soubesse o significado da palavra, mas seu desejo foi expressado inúmeras vezes posteriormente.

Ao perceber que seu coleguinha iria ganhar uma bicicleta e um passarinho, portanto dois itens, ela ampliou o pedido: “Mamãe, quero ganhar um presunto e um queijo muito gostoso.”

Ao entregar o presente a ela, uma vasilha com fatias de presunto e queijo, Papai Noel nos revelou: “Realmente este foi o presente mais inusitado que já dei a uma criança”. É claro que Gabi ganhou presentes como boneca, roupa e outros brinquedos, mas foi emocionante ver a alegria dela comendo presunto e queijo sob o olhar do Papai Noel.

Gabi no Natal

Em outro momento, durante a reunião de pais da escola dela, que está deixando o maternal 2, um dos itens discutidos foi a ida ao shopping center x consumismo. Não sei exatamente quando começa a ‘pedição’ das crianças…”mãe, quero isso”, “compra isso também?”…

Às vésperas de completar 3 anos, a minha ainda não percebeu que ela “pode” pedir algo que queira muito… e o que ela costuma fazer é simplesmente apontar as bonecas, casinhas e outros itens das lojas, mas sempre assim: “Mãe, olha que lega!”, “Mãe, vem ver isso”…

A professora inclusive ressaltou a importância do limite e talvez tenha se referido também ao limite dos pais. Já adultos e conscientes de nossos atos, nós, pais, temos por obrigação refletir sobre que tipo de cidadãos estamos criando.

Dar um presente ou vários presentes a uma criança por ela ter feito uma birra no meio do shopping ou simplesmente porque ela pede tudo que vê pela frente não é exatamente a coisa certa a se fazer.

Crianças são seres muito inteligentes e, ao primeiro sinal de fraqueza por parte dos pais, elas não hesitam em usar artifícios para obter o que querem. Por isso não faz mal nenhum começar, desde cedo, a ensiná-las o real valor das coisas e como é, por muitas vezes, difícil adquiri-las.

O trabalho é árduo, porque lutamos contra nosso desejo mais profundo de alegrar um filho… mas lá na frente o retorno será a formação de um ser humano digno e batalhador. E que orgulho, não?



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