retirada da chupeta

A retirada do bico – Sai, culpa, desse corpo que não te pertence!

Como sofri desnecessariamente antes, durante e depois que tomei a decisão de retirar o bico da minha filha. Primeiramente carreguei meses a culpa de não ter tido coragem e força para tomar essa decisão antes dos 3 anos. Mas por que?

Mesmo que as pessoas não falem nada, muitas lançam olhares quando percebem que seu rebento “ainda” usa bico. E vou admitir. Minha Gabi estava completamente aficcionada pelo acessório, a ponto de se desesperar se eu não tivesse um bico dentro da bolsa, nos casos que ela julgava ser de emergência. Comecei a pirar também. Não podia sair de casa sem ele…não admitia esquecê-lo.

E em qualquer adversidade a bichinha pedia: medo de algo desconhecido, fome, sede, algo novo ou qualquer outro momento de estresse. Pois bem: a decisão de retirar o bico foi pensada milimetricamente. Levei-a à dentista, apontamos o momento propício, tiramos férias e o pai comprou o objeto de troca: uma bicicleta e uma segunda opção para dormir com ela na cama – um bonequinho azul lindo.

A família inteira se propôs a ajudar. Fizemos um evento para levar o bico até a lagoa e jogá-lo para o jacaré. Foram nove pessoas para presenciar a cena, inclusive o priminho mais velho, uma referência para minha filha e que já tinha largado o bico da mesma forma.

Mas até chegar a data, tanta coisa passou pela minha cabeça…Achei que ela não largaria o bico nunca mais, achei que eu seria considerada a bruxa da história, que teria obrigação de ouvir minha filha, que talvez ela precisasse de mais tempo, que sofreria horrores e que nunca me perdoaria. Cheguei a quase desistir, deixar pra lá e jogar o problema pra frente.

Tudo foi uma grande ilusão…a não ser nas primeiras horas, em que chorou literalmente 60 minutos (e aí confesso que também chorei), os dias foram passando numa leveza fora do comum. Poucas foram as vezes (não enchem uma mão) que ela referiu-se ao bico…tipo três vezes, desistindo quando percebeu que não iria surtir efeito.

Eu fiquei esperando um sofrimento que nunca veio, a não ser a minha “sofrência” pela própria cobrança, pela pressão alheia e pelas fórmulas mágicas de retirada de bico.

Passada a tempestade – e lá se vão 30 dias – percebo o quanto os pais devem seguir o que manda o coração. Cada criança é de um jeito, cada família pensa de uma forma e não existem receitas milagrosas. O que existe e deve existir sempre é muito amor, paciência e instinto. O resto é só vivendo mesmo…

E você? Passou por algo parecido? Compartilhe com a gente a sua experiência aí nos comentários.



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