Operação troca de fralda

Operação Troca de Fralda sob o olhar vigilante de um pai

Às 4h35 da manhã, fui acordado de um sono profundo. A sirene instalada há cinco meses apontava a largada da operação de guerra. O Soldado Pomada e o Cabo Fralda Nova já ocupavam os seus respectivos postos. O móbile já não fazia mais a ronda. Não amo a batalha, mas cabia a mim desarmar a bomba presa à refém e efetuar a desova. Um movimento em falso poderia causar danos de difícil reparação.

O cenário insalubre e a meia-luz davam o clima de tensão. Nos dirigimos – eu e a refém – à trincheira de troca. Sob o olhar estático do Sargento Mickey e da Capitã Peppa Pig, virei a bomba lentamente para a direita e, com cuidado, desativei a primeira fita adesiva. Bomba huggies de fabricação americana. Dois centímetros separavam a massa explosiva do terreno não contaminado. Com cuidado, separei a Mônica do resto da turma e fiz o desarme da última fita azul.

A pólvora tinha acabado de ser instalada e já ocupava os pontos A e B. Com cuidado, me aproximei do local onde o explosivo estava plantado e fiquei atento aos gases terroristas, que a todo custo tentariam evitar a minha ofensiva. Livrei-me dos gases usando a boa e velha técnica da respiração bucal. Entrei de maneira estratégica com o algodão embebido em água morna no ponto focal (fecal!).

Área dinamitada e de difícil acesso. Não adiantaria eu chegar atirando para todos os lados, ao menos que tivesse muita confiança em meu tempo de reação. Pouco experiente, optei por isolar o local. O volume morto foi retirado e a área foi ocupada pelo BOPE (Batalhão de Operação Pós Explosão). Refém liberada.

Ainda anestesiado pelo sucesso da operação, fui surpreendido pelo cão farejador do esquadrão que abocanhou a bomba desarmada e saiu em disparada. Eu tentei o meu melhor para ele não escapar com o objeto do crime. Em vão. Os dois (cão e bomba) só foram encontrados depois pela sentinela na hora da troca da guarda.

Injustamente responsabilizado pelo crime de guerra, devo enfrentar meu destino e encarar o estrago causado pelo cão-bomba de forma corajosa. Pelo crime de desobediência, o farejador foi conduzido à solitária onde, a princípio, cumpriria pena de cinco minutos de reclusão. Pelo bom comportamento, teve a pena reduzida em um terço.

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O Vigilante, a refém e o cão farejador – Arquivo pessoal Diego Chahde



1 comentário

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  1. Jaqueline Almeida

    Di, mais uma operação concluída com sucesso. Você é mais do que um paizão de primeira viagem: foi condecorado com o título de Capitão da Operação Troca de Fralda. Que venham outros desafios.

    Beijos,
    Jaqueline


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