Sofrência de uma mãe

Sofrência de mãe: trabalho em outra cidade

Pois é…existem vários nomes para determinados fenômenos familiares: complexo de Édipo, síndrome do ninho vazio, geração canguru, adultescência, terríveis três anos, enfim…se deixar, preenchemos tranquilamente uma tela de computador com tantos conflitos. Mas hoje vou falar do meu conflito como mãe solo, com uma filha de 3 anos e 10 meses.

Sempre fui uma mulher despojada, que gosta de sair, conhecer pessoas e amo fazer amizade. Não bebo, beleza, mas sempre dormi muito pouco e passei longos anos sendo motorista dos amigos mais chegados. Há praticamente quatro anos, a vida se transformou: nunca mais saí à noite, e aqui admito que somente uma vez, recentemente, encontrei com a turma da faculdade, retornando para casa antes da meia-noite.

Enfim, do alto dos meus 44 anos, quase 45, virei literalmente uma camisolona assumida, convicta e feliz da vida…sempre! Recentemente, recebi um convite profissional para cobrir um congresso de saúde em terras estrangeiras e, desde que aceitei de bom grado a missão, a cada dia que se aproxima a viagem, mais fico apreensiva.

Acho que vou criar meu próprio fenômeno. Que tal “mãe que não consegue se desgrudar da filha”, ou “síndrome da mãe saudosa”, ou “distúrbio patológico de saudade aguda”,  que tal “transtorno da mãe desesperada sem filha por uma semana”…Afffff!

Pois é…eu, mulher tão viajada, tão engajada socialmente, tão senhora de si e dos meus caminhos, agora me encontro a menos de 10 dias da viagem, com medo de sofrência (termo que está muito na moda). Um medo de sentir saudade demais…

Ontem fiquei uns 30 minutos vendo Gabi dormir. Chorei até…por uma saudade que ainda vai chegar…E sei o quanto é importante eu viajar, trabalhar fora, voltar a ser o que eu era há quatro anos. Preciso disso…

Sei que estou completamente errada, mas totalmente apaixonada, totalmente entregue a esse amor, um sentimento tão único, tão gostoso de sentir e tão inexplicavelmente generoso.

Vou viajar, claro que vou, vou fazer meu trabalho com garra, como sempre faço, e o melhor vai ser voltar e perceber que só eu sofri, porque ela, ah, Gabizuka, ela não está nem aí, como deve ser. Ela quer mais é que a mamãe vá feliz, trabalhe e volte! E só!



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