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Pais, crianças e tecnologia: diga-me o que tu postas e te direi quem és!

Com toda a tecnologia e a dependência dos eletrônicos em nossa vida diária, é bem comum os pais estarem cada vez mais tensos, recorrendo a leituras e especialistas no sentido de descobrirem a melhor forma de agir com seus filhos. Afinal, ninguém quer ver suas crianças e adolescentes se envolvendo em namoros virtuais, conversas escusas, encontros suspeitos e até pedófilos! 

A primeira coisa que procuro dizer aos pais que me procuram aflitos em relação a este tema é: “Mas você já parou para pensar que isso não é de agora?” Pensa comigo: antigamente as fotos mostravam pessoas segurando um jornal e super atentas à leitura. Depois vieram as cartas – e olha que já existiam cartas anônimas, chantagens e até publicações de possíveis relacionamentos ou amizades… O surgimento da televisão fez com que famílias inteiras deixassem de se falar para assistirem a novela, esportes e filmes – de todos os tipos, inclusive. Então convenhamos, isso não é novidade!

Atualmente é bem fácil “fugir” de uma situação pelos nossos dispositivos móveis conectados à internet. Em um clique estamos no Youtube, Instagram, sites de relacionamentos ou onde quisermos, sem ao menos ter que nos apresentar, falar, assumir nossas opiniões ou atitudes. O virtual torna-se “local” confortável em que se pode discutir à vontade, falar mal de políticos, da escola, ironizar colegas de trabalho, amigos e até espiar… E isso vem acontecendo entre as crianças, jovens e também adultos.

Já parou pra pensar que a ostentação em se mostrar “feliz”, sempre sorrindo, postar a foto do prato, do passeio ou do relacionamento causa exposição em demasia? Ficamos, muitas vezes, “sem noção”, mascarando uma realidade através de fotos felizes quando, muitas vezes, estamos mesmo é entristecidos, justamente por nos “embebedar” da “felicidade” alheia, não aceitando o nosso próprio momento. O excesso de pessoas felizes e estereótipos nas redes pode causar um mal estar maior do que se imagina. Cenários de felicidade são montados a todo instante para suprir a parte que falta em cada um. E é aí que mora o perigo!

Neste contexto, muitos acabam sofrendo e não se aceitando: tanto os jovens quanto os adultos. E por falar em aceitação, é muito mais fácil bloquear um amigo virtual que não concorda contigo, do que o marido, esposa, filhos, amigos, chefe, não é? Fica aí uma reflexão.

Pensando nisso, então como podemos buscar o equilíbrio?

Que tal em algumas situações deixar um pouco de lado o celular?  Quando entrarmos em recinto que solicita desligarmos o celular, que tal fazermos isso de fato? Que tal vivermos intensamente o presente e no momento de assistir a algum espetáculo de teatro, musica, dança ou até mesmo uma festa, procurarmos curtir aquele momento de fato, ao invés de nos preocuparmos com fotos, transmissão de lives etc? O melhor aprendizado se dá pelo exemplo. 

Outra sugestão é ensinar aos nosso filhos, jovens e idosos outras brincadeiras que não fazem o uso do eletrônico. Essa tarefa vai exigir nossa participação integral e vai valer à pena! Conversas autênticas entre amigos, familiares, pais e filhos vão surpreender vocês! Um conhecido adotou uma prática que considero interessante: em qualquer reunião que ele vai, acaba colocando o celular no modo avião. Assim os alertas do whatsapp e demais notificações não ficam interrompendo as conversas. Passei a adotar em algumas ocasiões isso também!

Intercale a tecnologia com esportes, estudos e tarefas em casa. Responsabilidade, senso de comunidade e trabalho em equipe são grandes aliadas, desde que o mundo é mundo!

Vamos usar a tecnologia e os gadgets ao nosso favor, mas vamos nós, adultos, assumir as rédeas da situação: quem está no comando somos nós, e não a tecnologia. É aí que está a diferença. Vamos ditar as regras da casa e sobretudo dar o exemplo. A Internet veio para ficar, cabe a cada um de nós a disciplina, senso moral e conduta para usar esta ferramenta maravilhosa da melhor maneira. Bora começar?

 

A querida Carla Rossana nos ajudou nesta matéria. Obrigada! <3

Carla Rossana Sanson Cauduro é mãe de gêmeas, contadora de historias e realiza trabalho voluntário junto aos jovens e também pais. Ela ama a vida, sorrir, conversar, tomar chimarrão, dançar, passear e adora ler e escrever. Carla acredita que a cada dia aprendemos mais, que é possível modificar opiniões e que conviver com pessoas e trocar ideias faz com que melhoremos sempre.



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