Conciliar maternidade e carreira

É possível conciliar maternidade e carreira de maneira harmônica?

“Nem todas as mulheres querem uma carreira. Nem todas as mulheres querem filhos.
Nem todas as mulheres querem as duas coisas (…).
Cada uma de nós precisa traçar seu próprio curso e definir os objetivos
que condizem
com a sua vida, seus sonhos e seus valores.”
(Sheryl Sandberg – COO do Facebook)

 

Nos últimos meses tenho entrevistado algumas mães com o objetivo de investigar a relação entre maternidade e carreira e descobrir alguns dilemas pelos quais passam essas mulheres.

Além de trabalharem em tempo integral nos escritórios, realizarem as tarefas domésticas (jornada dupla de trabalho) e ainda assumirem todo o “trabalho emocional” da casa, como gerenciar os horários do remédio, pensar na logística das atividades, planejar a festa de aniversário e garantir que todos recebam atenção suficiente; elas ainda contam, muitas vezes, com viagens à trabalho e uma infindável lista de mensagens não lidas. Quem nunca verificou o WhatsApp do trabalho fora do horário? E com isso, muitas mulheres acabam abandonando ou pensando seriamente em abrir mão de suas carreiras após os filhos.

É importante ressaltar que a rotina diária para aquelas que optam em ficar em casa, também é muito puxada e pode não ser satisfatória. De acordo com Sheryl Sandberg (COO do Facebook), em seu livro “Faça Acontecer”, depender do marido financeiramente pode ser um ponto de tensão nos relacionamentos. Ela cita que filhos, pais e casamentos podem prosperar quando os parceiros têm carreiras plenas (Sharon Meers e Joana Strober – Getting 50/50). Além disso, colocar as crianças como “centro” de tudo pode ser injusto com elas e com você mesma. Muitas de nós acabam se anulando em meio à rotina corrida e pesada com as crianças. Então, será mesmo que deixar o emprego de lado é a decisão mais assertiva?

As empresas que “perdem” suas profissionais mães – elas geralmente abrem mão do emprego quando estão no auge de suas carreiras – também enfrentam muitos prejuízos. Alguns estudos mostram que o custo de uma funcionária que abandona o trabalho esteja entre 15 e 400% do salário anual do funcionário em recrutamento, incluindo investimentos em treinamento, dentre outros custos (informação via The Telegraph UK).

Algumas mulheres acreditam que para serem felizes: ou você trabalha em tempo integral, com todas as suas longas horas, atividades fora do horário e viagens, ou você se torna uma mãe que fica em casa. Para a sociedade parece não existir um meio termo.

“As mulheres vivem cercadas de manchetes e notícias alertando que não podem se dedicar às duas coisas (se referindo à família e carreira). Ouvem insensantemente que precisam escolher pois, se tentarem fazer as duas coisas, ficarão esgotadas e infelizes. (…) Por a questão em termos de “equilíbrio trabalho / vida”, como se fossem termos opostos, é quase uma garantia de que trabalho vai sair perdendo. Quem escolheria trabalho em detrimento da vida?
(Sheryl Sandberg – COO do Facebook)

 

O CAMINHO DO MEIO

O que eu quero apresentar nesta reflexão é que o caminho do meio para se conciliar maternidade e carreira de maneira harmônica, é um caminho possível! Para traçá-lo, o primeiro passo é ter uma conversa sincera com seu chefe. Descubra o que a empresa realmente espera de você e compartilhe suas percepções. Não se esqueça das habilidades que a maternidade ensina e que podem ser transportadas para a carreira. E, mais importante, discuta o que você precisa para alcançar os objetivos traçados pela empresa.

Facilitaria a sua vida se você pudesse começar meia hora mais tarde todos os dias para deixar seus filhos na escola com certa tranquilidade? Ajudaria se, uma vez por semana, você pudesse trabalhar de casa, usando a tecnologia a seu favor? Será que pode realizar algumas reuniões por semana de maneira remota? Será que uma manhã por semana, ou por mês, para marcação de compromissos pessoais, como consultas e reuniões escolares, não faria aquela diferença na sua vida? Algumas empresas, nossas clientes na iniciativa “Maternidade nas Empresas”, já implementaram essas práticas e os resultados são excelentes! Aumentaram o engajamento e a produtividade.

Você pode estar pensando: “Isso nunca funcionaria na minha empresa!”. E aqui eu cito Wies Bratby, holandesa que ensina as mulheres a negociarem o seu valor por programas de coaching e é membro do De Witt Negotiation Institute for Advanced Negotiation: “Não funcionaria? Tudo bem, mas você já tentou? Ou melhor, REALMENTE tentou?” Ensaiou essa conversa, munido de informações relevantes sobre sua carreira, metas e sobre como pode contribuir da melhor forma com os objetivos da empresa? Falou sobre isso com pessoas que confia até que se sinta preparada de verdade e com coragem para uma conversa sincera com a chefia?

Eu realmente acredito em conversas autênticas, genuínas. Conheço mulheres e mães incríveis que conseguiram negociar o que precisavam para viverem suas carreiras e famílias de maneira mais harmônica e feliz. Algumas dessas mulheres foram até promovidas nesses períodos, acredita?

Então, antes de tomar a decisão drástica de jogar tudo para o alto e ficar em casa em tempo integral (e se você optou por isso e é feliz, que coisa boa!), que tal negociar o seu papel, pensando de maneira responsável e autêntica em alternativas que fazem mais sentido pra você? Se a gente não tentar, nunca vamos conseguir. O início da mudança que tanto almejamos, depende sim de uma boa conversa! Vamos falar?

Um abraço, Luciana  🙂



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